O Círio de Nazaré além de uma demonstração de fé é uma manifestação cultural. O mês de outubro para boa parte da população paraense é o período de celebrar a fé em Nossa Senhora de Nazaré. No Clube do Remo não é diferente. No clube do povo a fé e a devoção na padroeira dos paraenses ganha espaço, mas não só neste período. Com vários funcionários e jogadores devoto da Santinha de Nazaré, uma pessoa se destaca. Com 27 anos de Clube do Remo e mais de 43 títulos pelo clube em três esportes diferentes (futebol, futsal e basquete), o acreano “Mandubé” possui um carinho especial com a Nossa Senhora de Nazaré.

Francisco Clodovil Fontenele, há 27 está trabalhando no Mais Querido. Acreano, filho de pai paraense, chegou ao estado para trabalhar e ganhou três amores. Família, Clube do Remo e Nossa Senhora de Nazaré. Mandubé é massagista do Leão, um verdadeiro patrimônio do Time de Periçá. Ele chegou em Belém com o pai para trabalhar na construção da represa de Tucuruí, mas também trabalhou em Marabá. Mandubé teve seu primeiro contato com o Santinha em 1970, quando em um acidente no local de trabalhonquase lhe tirou a vida. Manduba teve um problema no rim direito e teve que fazer uma cirurgia para retirá-lo. Entre a vida e a morte, o jovem pediu a sua cura à Nossa Senhora de Nazaré. “Eu criei mais fé ainda quando eu tive que fazer uma cirurgia em 1970 na cidade de Marabá após um acidente. Foi aí que iniciei minha caminhada com Nossa Senhora de Nazaré. Pedi para que tudo desse certo. Hoje só tenho um lado do rim. Eu comecei a crer nela, pedi que eu queria sobreviver e vencer na minha vida. Até hoje eu tenho muita confiança na Santinha”, comentou.

Após a sua cirurgia, o Manduba fortaleceu a sua fé, seguiu a vida e virou “homem de confiança” do já falecido Hiroshi Yamada, que na década de 70 e 80, comandava o time de futebol da família, o Yamada Clube. Mandubé trabalhou com ele e através do dono da rede de lojas Yamada, o massagista chegou ao Mais Querido no final da década 80. No time do coração, o massagista não ganhou só um emprego, mas sim uma casa e uma família. Para o funcionário, o clube está em suas orações sempre, assim como todos que trabalham nele. “Nossa Senhora de Nazaré é a minha mãe. Ela já me ajudo e tudo que tenho em minha casa, a felicidade que tenho em minha família com os meus filhos, minha esposa Regina eu agradeço à ela. Sempre nas horas que eu mais pedi à ela eu sempre fui atendido. Tudo que faço no clube hoje, no meu trabalho, profissão. Peço orientação à Nossa Senhora de Nazaré. Peço por todos que aqui estão. Eu tenho muita fé. Peço à Nossa Senhora e a Deus. Tem gente que reza por rezar, mas eu tenho fé”, disse.

Mesmo devoto, o massagista do Leão nunca acompanhou a procissão do Círio de Nazaré. Segundo Mandubé, a emoção toma conta do peito que ele não consegue se aproximar da Santinha. “Eu não aguento de emoção. Já tentei acompanhar o Círio, mas não aguentei de tanta emoção. Falei com a Santinha, pedi perdão à ela, pois eu não aguento está pertinho dela na sua festinha”, comentou.

Mandubé está no Remo há anos e fez grandes amigos. Um deles partiu e deixou o Mais Querido da Amazônia de luto. Fernando Oliveira foi lembrado por Mandubé como um grande amigo que o Clube do Remo lhe deu. “Enquanto eu tiver força eu vou ajudar o Remo, um atleta, um amigo. O seu Fernando Oliveira, uma pessoa que partiu faz pouco tempo, mas que lá de cima está olhando por todos nós aqui no Baenão. Uma pessoa que esteve do meu lado sempre, dava conselhos e sei que continua ao meu lado. Era um cara humano, direito. Sempre ajudou o Remo como podia”, finalizou.

Foto: Samara Miranda – Ascom Clube do Remo