A trajetória do basquetebol do Clube do Remo é marcada por tradição, conquistas e formação de grandes atletas. Desde os primeiros campeonatos regionais, o Remo consolidou sua história na modalidade, com ginásios lotados e equipes competitivas formadas, em grande parte, por talentos revelados nas divisões de base.
Ao longo das últimas décadas, o Clube acumulou dezenas de títulos nas categorias oficiais da Federação Paraense de Basquetebol (FPB), fruto do trabalho desenvolvido em sua escolinha de basquete, importante celeiro de formação esportiva. A base azulina permitiu ao Remo manter hegemonia estadual em diferentes períodos, especialmente nos anos 1990, quando se destacou frente a outras tradicionais agremiações do Estado.
O feito mais emblemático do basquetebol remista ocorreu na década de 1960, com a conquista do heptacampeonato paraense adulto (1959 a 1965), resultado de campanhas históricas e de uma geração marcante de atletas. O título tornou-se referência para o esporte no Pará e segue, até hoje, como uma das maiores realizações regionais da modalidade.
Na história recente, o Clube enfrentou momentos de paralisação no basquete, muito em razão das condições estruturais do Ginásio Serra Freire. Com a revitalização do espaço, em 2014, o Remo retomou as atividades e voltou às conquistas, sagrando-se novamente Campeão Paraense. Em 2015, o Leão conquistou o bicampeonato estadual invicto, reafirmando sua vocação competitiva.
Outro capítulo importante foi escrito em 2002, com a conquista da Copa Norte de Basquete Adulto, em Macapá (AP). O título garantiu ao Remo participação na Supercopa dos Campeões, reunindo as principais equipes do país, consolidando o nome do Clube também no cenário nacional.
O basquete azulino também é marcado por grandes personagens. Entre eles está Edyr Góes, considerado o maior jogador paraense de todos os tempos na modalidade. Atleta do Clube do Remo entre as décadas de 1950 e 1960, Edyr integrou o elenco multicampeão estadual e foi o primeiro paraense a defender a Seleção Brasileira de Basquete, tornando-se referência técnica e humana para gerações posteriores.
O departamento de basquetebol do Clube do Remo mantém sua escolinha em pleno funcionamento, atendendo diversas categorias e oferecendo estrutura adequada para o desenvolvimento esportivo. As matrículas estão abertas.
Para informações específicas de valor, documentação necessária entre outras, a secretaria do ginásio Serra Freire funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 8h às 12h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (91) 98450-3296 ou pelo site oficial do Clube.
Edyr Góes – O maior de todos
(O texto desta subseção é de autoria de Letícia Azevedo)
O basquetebol paraense tem um mito, um jogador reconhecido como o grande astro do esporte de todos os tempos no Estado. Seu nome: Edyr Góes, brilhante atleta do Clube do Remo que marcou época nas quadras, entre as décadas de 1950 e 1960.
Nascido em Belém, em 31 de janeiro de 1941, batizado “Edy”, era apaixonado pelo basquete e pelo Remo. Começou a praticar o esporte tão querido quando, aos 15 anos, foi morar com sua madrinha no Rio de Janeiro. Lá, treinou no Vasco da Gama durante um ano, antes de voltar para Belém e ser levado por seu pai para fazer parte da equipe azulina. Daí em diante, apaixonado, não saiu mais!
Edyr, era um esportista nato e, além do basquete, praticava outros modalidades e chegou a ganhar medalhas em atletismo, no salto em altura e à distância, além de praticar voleibol, também no Clube do Remo. Nos jogos estudantis, representando os colégios do Carmo e Souza Franco, também foi medalhista nas cestas.
A verdade é que ele brilhava mesmo como pivô, nas quadras de basquete. O camisa 12 da equipe azulina era fora de série! Se destacava por onde passava. “Todo mundo diz que ele tinha uma facilidade enorme. Ele tinha o apelido de ‘cegonha’, porque quando saltava, era como se fosse uma cegonha voando. Eu o conheci lá (Remo), porque eu jogava vôlei. Nos conhecemos em 1963, ficamos noivos em 64 e, em 25 de setembro de 65, nos casamos”, relembra Diana da Serra Freire Góes, sua esposa, que também é filha de outro grande atleta do clube, o remador Ernesto Serra Freire, o qual dá nome ao ginásio localizado na sede social azulina.
Ao lado de Sérgio Paiva, Guilherme Maia (Galega), Euclides Góes, Haroldo Maués e outros nomes, Edyr, que nunca perdeu nenhum campeonato jogando, foi um dos grandes responsáveis pelo feito histórico do basquete remista; o título de Heptacampeão Paraense, de 1959 a 1965. Na verdade, ele só não participou do campeonato de 1965, o ano do hepta, pois foi estudar agronomia em Minas Gerais.
Seu reconhecimento como grande atleta o levou a ser o primeiro paraense a jogar pela Seleção Brasileira de Basquete, em 1961, disputando com a camisa 4 o Campeonato Luso-Brasileiro. Muito admirado pelo técnico da seleção da época, Togo Renan Soares, o Kanela, com quem mantinha uma ótima relação de amizade, Góes foi convocado para vestir a camisa verde e amarela no Mundial de 1962, mas foi impedido pela malária, doença crônica que lhe acompanhou por alguns anos.
Sobre o nome do herói azulino, Diana conta que ele se chamava “Edy”, mas o próprio gostava de ser conhecido como Edyr, nome o qual foi registrado depois de muitos anos, quando já era casado e com todos os quatro filhos nascidos. Ele não gostava do primeiro nome porque, em Belém, havia uma mulher conhecida na sociedade que era sua homônima, o que lhe rendeu muitas brincadeiras de colegas que diziam que ele tinha um nome feminino.
Adriana Góes, sua filha mais velha, diz que seu pai costumava contar um fato curioso: “Havia um jogador na seleção do Paysandu que tinha a missão de atrapalhar o papai em suas jogadas. Ele deslocava o braço do meu pai em todas as partidas entre os dois clubes, pois ele sabia que o papai tinha um problema no braço, que saía do lugar e o deixava sem poder jogar”.
Durante a época que era atleta, Edyr se dividia entre os jogos do Remo e a fazenda da família, em Muaná, no Marajó. Ele se formou agrônomo, laticinista, e depois de se afastar das quadras, trabalhou no Ministério da Agricultura.
Em junho de 1991, Edyr foi homenageado com uma placa de reconhecimento por seus anos como atleta, oferecida pela Federação Paraense de Basquete, Remo, Paysandu, Tuna e COPM/Lumiar, que dizia: “Ao Edyr Góes, que amou tanto o basquetebol que se tornou o maior jogador paraense de todos os tempos, e foi exemplo de técnica, disciplina e dedicação para os que lhe sucederam”.
O maior nome do basquete paraense nos deixou em 22 de fevereiro de 2013, vítima de câncer, provocado por um tumor maligno no pescoço. Os grandes feitos nas quadras eternizaram o nome de Edyr Góes na história do basquetebol azulino e paraense
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